FRENESI E LUCIDEZ contos e contos eróticos... FRENESI E LUCIDEZ contos e contos

FRENESI E LUCIDEZ contos e contos


-31.10.03 - 2:18 PM-

Origem do Halloween

Primeiramente esta festa era chamada de Samhain, que significa fim do outono. Segundo os druidas, sacerdotes dos celtas, povo que habitava a Inglaterra por volta do ano 200 a.C. Na noite de 31 de outubro, todas as bruxas, demônios e espíritos dos mortos se reúnem para uma grande festa. Com o tempo, o medo que a comemoração causava foi sendo esquecido e ela se transformou numa grande festa hoje chamada de Halloween, adaptação da frase celta all hallow eze, que quer dizer "noite de todos os santos".
Vestindo fantasias, as crianças batem de porta em porta e dizem Tricks or Treats (Travessuras ou Gostosuras), expressão que se originou da Irlanda, aonde as crianças iam de casa em casa pedindo provisões para as comemorações do Halloween, em nome da deusa irlandesa Muck Olla.

Para comemorar o Hallowen... Vai aí uma estória de bruxa brasileira


Tratamento Caseiro(um conto de halloween tupiniquim)

Ela tinha aqueles olhões arregalados e dentes grandes que pareciam aumentar mais ainda com a aquela sua magreza raquítica. Mal levantava a cabeça para olhar as pessoas e só falava baixinho com a mão tapando a boca, costume que pegou bem novinha no tempo em que trocava os dentes de leite.
Tudo que era tranqueira que achava jogada fazia uma boneca. Qualquer coisa que só ela mesma podia enxergar com sua imaginação. Já havia visto nas mãos de outras meninas bonecas lindas! De cabelos louros, ruivos, pretos...Com o rostinho e lábios rosados...Vestidos rodados... E como ela sonhava ter uma boneca...
Ela mesma, quase não tinha roupas. Sua mãe ajeitava-lhe qualquer trapinho mal costurado, ou uma roupa velha qualquer só para que não ficasse nua. "Pra que mais? Ninguém nunca vai te ver mesmo" - dizia isso pelo hábito que tinha de sempre estar num canto escuro da casa. E negrinha do jeito que era, só podia ser vista por quem já sabia desse costume que tinha ou quando fazia algum barulho que a denunciasse.
Assim que cresceu um pouco mais, começou ajudar sua mãe no serviço da cozinha. Aprendeu a cozinhar de tudo, e com a imaginação que nunca lhe faltou, acrescentava temperos e condimentos aos pratos que logo a consagraram com uma cozinheira de respeito, reconhecida até mesmo por sua mãe que comentava com orgulho. "Também, filha de quem é, só podia ser boa de forno e fogão".
A mãe de Negrinha tinha vindo de navio de outras terras bem longe, lugar onde os negros eram livres, respeitados e existiam até Reis e Rainhas de cor.
Parecia sonho as poucas vezes em que Negrinha se aconchegava sentada entre as pernas da mãe, que trançava seus cabelos e contava que existiam terras assim. Sonhos distantes da realidade de que viviam. Mas ela sempre acreditou que seria possível que seu mundo um dia fosse deste jeito.
O tempo foi fazendo Negrinha crescer e cada vez mais aparecer. Já começava a apontar os peitinhos empinados, as ancas preenchendo cada vez mais os vestidos e já não era qualquer trapinho que escondia a nudez de Negrinha que já começava a ser cobiçada por tudo que é homem que a visse. Ela foi à última a perceber isso e brigava com sua mãe cada vez queria cobrir mais seu colo, seus peitos, suas pernas...Brigava, mas acatava. Sabia que vindo de sua mãe era para seu bem.
Mesmo assim, toda coberta de roupa, tinha uma Pomba-gira escondida, um gingado no andar que não a deixava mais passar despercebida. Sinhozinho mesmo, apesar de ser um moço rico, bem apessoado quando longe da Patroa arriscava sempre um beliscão ou um tapa espalmado na bunda dela. Coisa que ela odiava! Mas não tinha como reagir. Já os outros empregados e escravos ela se defendia com panelas e colheres de pau, até que adquiriu respeito.
Custou, mas isso tudo ia fazendo Negrinha perceber que tinha um certo poder sobre estes que a cobiçavam. Já percebia que um sorriso, um olhar de canto dos olhos e uma balançadinha a mais no quadril enfeitiçavam aqueles olhares gulosos.
Mas isso também deixava cada vez mais difícil ela fugir do Sinhozinho que mesmo nas vistas da Patroa, mandava Negrinha tirar-lhe as botas todas as tardes. Sentava na cadeira da sala, esticava o pé para ela vir de costas, colocar a perna dele entre as dela e puxar. Sinhozinho de safadeza dobrava os dedos do pé para ficar mais difícil de sair e ter que empurra-la pelo traseiro com o outro pé com a bota suja de terra. E ria... Para tirar a segunda bota, empurrava aquelas carnes macias com o pé descalço. Aí que demorava mais ainda! Para a Patroa, que não tinha malícia pra nada, aquilo era normal. Não imaginava que Sinhozinho cobiçasse uma negra. Sempre ouvia ele falar que negro não era gente!
Só depois que a Patroa morreu com uma picada de jararaca, que Oxalá a tenha, que todos viram que ela, apesar de mansinha, boazinha, era quem mantinha o respeito na casa. E viram também que era ela que mantinha o Exu de Sinhozinho afastado!
Depois disso que o homem desgraçou a beber, e fazer o que bem queria!
Negrinha já não conseguia escapar dele e todo mês tinha que tomar chá de Loro com Arruda para não pegar filho.
Todos os escravos sentiram na pele a morte da Patroa, os castigos e açoites pioravam cada vez mais! Já tinha até morrido negro no tronco de tanto apanhar!
A mãe de Negrinha foi vendida. Sinhozinho dizia que não agüentava mais olhar pra aquela cara esburacada dela. Era esburacada da peste que matou metade dos escravos do navio que ela veio, ela mesma, só escapou porque era filha de Obaluaiê, Santo que traz e leva as doenças.
E Negrinha ficou trabalhando sozinha na cozinha. Mas já tinha conhecimento bastante vindo do seu povo pra se defender. Um preto velho havia ensinado sua mãe e ela lhe ensinou tudo que era mandinga e trabalho com as plantas.
Preparou uma pinga da boa envelhecida com bastante raiz de Guiné. A pinga amargou, mas o Sinhozinho gostou mais ainda! Agora tomava de copo cheio! A erva Guiné já era conhecida pelos escravos para amansar Senhor e se muito usada, amansava tanto que deixava até meio besta e podendo até matar!
Quando o homem tinha ressaca...Ela dava chá de Guiné. Aí tinha dor de cabeça por causa da Guiné...E ela empurrava chá de Guiné. Então dava dor de barriga...E ela empanturrava Guiné no homem.
No começo Sinhozinho começou a emagrecer, ficar mais agitado e ficou pior ainda. Mas depois foi ficando meio largado, desanimado e mandou vim um médico da cidade grande. O médico perguntou o que ele tava tomando e ele falou dos chás que Negrinha lhe dava. O médico mandou chamá-la e perguntou que chás eram esses. E ela foi buscar aquele jeitinho simplório de quando era criança e falou de cabeça baixa. "Pra ressaca dou chá de boldo, pra dor de cabeça dou boldo com cidreira, pra dor de barriga dou boldo com erva doce".
O médico aprovou o tratamento caseiro, mandou Sinhozinho parar de beber cachaça e continuar a tomar os chás.
Passado mais dois meses, Sinhozinho já estava bem diferente...Aquele jeitão arrogante de falar alto, olhar todo mundo de cima, tinha desaparecido. Estava mais magro, falava baixinho e educado, tinha a feição mais tranqüila, delicada. Ficava sentado na cadeira da sala e esquecia de todos os afazeres, às vezes esquecia até mesmo fechar a boca e de engolir a saliva. E babava...
Não pedia mais pra tirar-lhe as botas. Ele já nem conseguia mais calça-las sozinho. Mas ela continuou a calça-las e tira-las, só que agora sem aquela malícia dele.
Ela vestia o homem arrumadinho todos os dias. Colocava ele na cadeira da sala e dizendo ser mandada por ele, dava as ordens para os empregados e escravos cuidarem de tudo. Os empregados, os capatazes pensavam que eram ordens de Sinhozinho, os escravos sabiam que eram ordens de Negrinha. E todo mundo obedecia na risca!
O vigário, os amigos, vinham visitar Sinhozinho e ficavam felizes de ver Sinhozinho que apesar de estar meio estranho, estava bem arrumado, barbeado, tinha a cara tranqüila, despreocupada e uma escrava dedicada que cuidava dele e enxugava sua baba com todo carinho.
Sinhozinho não conseguia fazer muita coisa, mas fazia tudo que ela mandava... Vai pra lá, vem pra cá, senta, deita, levanta, come, bebe, cospe... Tudo! Não tinha mais palpite pra nada!
Com tanto cuidado com Sinhozinho para manter as aparências, Negrinha começou a notar quanto ele era bonito. E com esse novo jeito que ele se comportava pegou por ele até uma certa afeição.
Como ela estava sempre rodeada de Erês, que são Anjos crianças sapecas que gostam de brincar. Também se lembrou de que quando criança o quanto gostava de brincar de boneca. E levava Sinhozinho para o quarto, para brincar com ela. Primeiro o despia e depois depilava seu corpo inteirinho! E começava a vesti-lo com as calcinhas da Patroa... Depois as meias... Cinta liga... Saiote... Espartilho... Vestido... Luvas longas de rendas... Sapatos altos... Dividiam ele e ela as roupas finíssimas, que a finada havia trazido da Europa! Tirava-lhe a sobrancelha grossa e as deixavam finas e elegantes... Passava-lhe pó de arroz... Rouge... Baton... Sombras... E uma linda peruca loura. Com os traços agora delicados de Sinhozinho, ninguém duvidava que fosse uma mocinha! Mantinha sempre um lencinho nas mãos dele e o ensinou a enxugar aquela baba. Ele aprendeu até um jeitinho charmoso de fazer isso.
Negrinha que também recebia Oxum a Deusa da vaidade, vestia-se e arrumava-se igualmente glamurosa para passearem juntas. A nova Dama da cidade, com sua escrava de gingado sensual despertavam interesse de todos os homens que as vissem. "Delícia de café com leite" - ouviu certa vez um senhor mais atrevido comentar a um grupo de homens. Ninguém podia imaginar que aquela linda negra era a dona daquela bonequinha.
Quando indagadas... Negrinha dizia a todos que aquela era Sinhazinha a irmã de Sinhozinho vinda da Europa e que ele, havia voltado para lá. Dizia que ela ficava assim calada porque não falava nossa língua. E arrastava correndo ela de volta pra casa. Cuidava dela com todo zelo, como se fosse sua primeira boneca. Com o tempo, o Exu de Sinhozinho tinha desaparecido completamente. Agora era uma Pomba-gira muito bonita e assanhada que já baixava olhando com luxuria para o quadril de tudo que é homem. Não importava o quanto feio fosse!
Negrinha de boazinha que era, sempre deixava sua bonequinha brincar com quem a quisesse. Contanto que fosse sob suas vistas e a conservasse nova! - ela advertia. Levava ela para o quarto a meia luz de cortinas fechadas, escondia-lhe as partes prendendo para cima e amarrando no espartilho. Amordaçava-a para não soltar gemidos graves. Punha-a sem calcinha de quatro na cama com o vestido e saiote levantados. E deixava que entrassem os interessados. Aqueles negros brutos, ao verem aquela Dama de meias finas, cinta liga, de pele tão alva e macia a disposição. Mal pousavam as mãos grossas e calejadas em seus quadris e já a penetravam com toda a violência da ansiedade que tinham. Não conseguiam demorar muito naquele ato, de tão excitados que ficavam não tardavam em acabar.
Bem que Negrinha sonhava... Em ter uma bonita boneca... E que um dia seu mundo seria diferente.
E Sinhozinho. Ainda babava... Mas havia aprendido a se enxugar com o lencinho. Só que agora estava sempre escorrendo pelas pernas.



Nota do Autor:GUINÉ (Petiveria tetranda, Gomes) - (Petiveria alliacea):

Planta da família Botânica: Phytolaccaceae e seu nome Popular: Tipi, Erva de pipi, Erva de Guiné, Raiz de Guiné, Erva de alho, Mucura-caa, Amansa senhor, tipu e tipuana.
Habitat: Planta encontrada no Brasil desde Pernambuco até o Rio grande do Sul
Propriedades Medicinais: Usada como estimulante na paralisia, sudorifera e alexifera. Em altas doses é abortiva e segundo alguns provoca loucura quando de seu uso contínuo. Seu envenenamento é lento e no período agudo determina superexcitação, insônia e quase alucinação. Depois de poucos dias sintomas opostos: indiferença, chegando a imbecilidade, fraqueza cerebral, pequenas convulsões depois tetaniformes, mudes por paralisia da laringe e morte ao fim de um ano, dependendo da dose. Deve ser usada em doses regulares e não sucessivas no caso de paralisia. Era muito usada pelos negros como arma de vingança contra seus patrões, por isso o nome de Amansa senhor.
conto halowen hallowen halloween tipiniquim
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-29.10.03 - 2:56 PM-


"O Pátio de Exercícios" de Vincent Van Gogh - 1889

Nesta pintura, Van Gogh retratou o pátio de um manicômio em que ele esteve internado. Imagino que colocavam os internos, ditos loucos e alienados, para andarem e espairecerem da estressante rotina.
Interessante... Esta imagem é bastante familiar para mim.
Podemos olhá-la como um pátio de manicômio...
Como o pátio de uma penitenciária, a exemplo, o extinto Carandiru...
Uma fábrica no intervalo do café ou do almoço...
Coloque personagens de ambos os sexos devidamente bem trajados, e poderá enxergar uma praça onde as pessoas circulam para distração...
Ou até um Shopping Center onde as pessoas olham as vitrines e pessoas que olham vitrines e pessoas e vitrines... Num monótono círculo vicioso de entretenimento para alienados.
Será tudo isso não tem o mesmo intuito? Alienar alienados?
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-28.10.03 - 11:59 AM-


Minha puta

Quando ela vai para o espelho
e passa o seu batom vermelho...
Começa assim uma mutação,
nos preenchendo de excitação.

Devagar tira as sobrancelhas,
sombreia as bochechas vermelhas.
Com lápis os olhos contorna
e de desejo minha alma entorna.

Solta e alvoroça os cabelos...
Que como rédeas já cobiço por tê-los.
Vai passando o rimel nos cílios...
Fazendo tudo para atiçar meus delírios.

Nada oculta com a safada calcinha,
que deixa de fora a gostosa bundinha.
Com o sutiã meia taça levanta os seios
aumentando ainda mais meus anseios.

Coloca uma sandália alta
e suas formas ainda mais exalta.
Assim... Ela se transmuta,
de todo pudor se amputa,
para meu prazer o seu corpo labuta
e faz-se então... A minha puta.


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-23.10.03 - 3:59 PM-


Brincando de Médico

Acham que sou louco de fazer isso, dissecar corpos, arrancar órgãos. Mas é o contrário. Sou mais consciente que todos. Encaro a realidade biológica do ser humano. Os outros é que só estão acostumados a ver as pessoas cobertas de epiderme. Pra mim é como abrir o capô de um carro pode estar com o motor parado ou funcionando que tanto faz. Lembro-me até hoje que quando eu era criança desmontei um relógio novo só para ver como funcionava. Estraguei, mas valeu a pena.
Aqui o importante é encarar como um profissional. Quando eu coloco o avental branco, a máscara, as luvas cirúrgicas aí que eu me transformo em Doutor. Desde bem pequeno eu já me fascinava com esta vestimenta, este barulho das luvas quando as coloco então... "slep"... "slep".
O equipamento é muito importante. Tem que ter uma boa mesa, iluminação à vontade, bisturis, pinças de todos os tamanhos, alicates, serras, agulhas de sutura e tudo mais.
Aí com tudo certinho começa a ficar fascinante ver como é feito e como funciona o corpo humano por dentro, cada detalhe. A pele, a circulação sanguínea, sistemas muscular, linfático, nervoso, órgãos, ossos e tudo mais. Poderia ficar descrevendo por horas de tão vasta que é esta máquina.
Agora mesmo vou dissecar esse... Esse... Digamos... Paciente, já que agora eu sou o Doutor.
Primeiramente cubro o corpo e visualizo só a parte interessada. Este é um dos macetes, enxergar por partes, hehehe. Fica um ato bem mais frio e calculista. Como tem de fato de ser.
Nesta região frontal do quadril, o púbis, a pele é fina, a epiderme e derme não passam de 2 mm, mas é na pele que ficam as 200 terminações nervosas por centímetro quadrado responsável por informar a dor ao cérebro. Que sorte o proprietário estar pra lá de Bagdá, senão a dor seria insuportável agora que eu estou cortando.
O bisturi afiado corta fácil como se fosse gelatina. Farei um corte com pouca profundidade só para demarcar em forma de triangulo toda a região que me interessa. Começando pela região pubiana, contornando pela virilha, descendo por entre as pernas até o reto e retornando pelo outro lado até em cima novamente. Assim... Ótimo!
Agora aprofundar mais até cortar a hipoderme e atingir os músculos que revestem todos os ossos e órgãos internos. O sangue tem que ser limpo constantemente para que se faça um trabalho preciso.
Nestas partes entre as pernas tenho que chegar até o osso do quadril para alcançar os órgãos internos, contornar o osso da bacia subindo e preservando o corpo cavernoso, o ureter, alcançar a próstata com todo o cuidado também para não cortar os canais que vão até os testículos. Eu descrevendo assim parece fácil, mas requer atenção, destreza e de gostar do que está fazendo. A bexiga e os intestinos não me interessam, não preciso ter cuidado com eles.
Tenho agora que cortar o feixe de nervos que ligam a coluna vertebral. O atrito com o osso cegou o bisturi, melhor trocar a lamina... Esses músculos e nervos são bem mais difíceis de cortar... Há! Agora sim! Nada como uma lamina nova. Nossa! Haja gaze para enxugar tanto sangue!
O aparelho reprodutor está quase todo extraído, mas vou descartar toda esta pele e carne cheia de gordura do púbis que não me interessa. Contorno com o bisturi na base da parte superior do pênis, aprofundo ainda mais, mas com cuidado para não estragar o que já fiz.
Vou deixar toda a pele do membro e o saco escrotal intacta, depois talvez seja retirada.
Por último descarto toda a pele e carne da parte debaixo do saco e... Pronto. Inteirinho em minhas mãos! Intacto!
Quando o professor chega na sala e diz:
- Então Juvenal? Já providenciou o material para a aula de urologia de hoje?
- Sim senhor Doutor. Está pronto - disse eu com o pênis ainda em minhas mãos.
- Muito bom! Belo trabalho! Quando terminar a faculdade com a experiência que já tem neste seu trabalho... Certamente você será ótimo médico cirurgião.
- Obrigado Doutor. Posso mandar o corpo pro necrotério e ir almoçar?
- Lamento, mas ainda não Juvenal. Precisamos também do estomago para o inicio da tarde e se você for almoçar receio que não dê tempo.
Droga! Eu morrendo de fome e tenho que ficar trabalhando. Ainda mais hoje que tem dobradinha com lingüiça. Meu prato predileto. Hum! Me dá água na boca só de pensar.

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-20.10.03 - 3:05 PM-


Instrumento de Sucção?!...

Esse instrumento...
Por inteiro nas mãos apanhar
e como em busca de alimento...
Um bocal por vez abocanhar.

E quando de bocal eu trocar
com fome de você assim...
Harmoniosos acordes vamos tocar
e de você extrair música pra mim.

Dedilhando inteiro seu corpo,
teclando com bolinação...
A música cada vez mais. Encorpo,
tocando o Instrumento de Sucção.

Dessa escala de notas complexas...
Sincronizamos a respiração.
Extraímos músicas conexas,
de você, meu instrumento de excitação.

Entre tantos boquejos e manejos...
De sons iluminando lampejos,
navegamos em delirante marejo.
E calo tudo!...
Com nosso ardente beijo.

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-16.10.03 - 3:40 PM-

Delirium Tremens

Naquela manhã, quando acordei com o canto da coruja anunciando o raiar do sol... Já vi que seria um dia diferente de todos!
Na padaria a mortadela cortava a máquina e um rabo abanava alegremente o cachorro excitado pelo cheiro das fatias caindo.
Chegando em casa, lá de fora já senti o cheiro de café fresco. Fui à cozinha e a vi coando lentamente a cheirosa bebida quente. Sua silhueta inspirava respeito. Camisa branca de mangas compridas, saia verde escuro na altura dos joelhos e meias compridas cor da pele.
Tudo equilibrado em seus elegantes sapatos de saltos altos e finos proporcionavam-lhe um sedutor aspecto de fartura abundante sem perder em nada a elegância.
Digna de freqüentar um Fórum, ou até uma igreja, não importando a crença ou o rigor do sacerdote.
Por trás, lentamente, aproximei-me dela encostando-me em seu corpo e beijando seu pescoço perguntei.
- Aonde vai tão bonita?
- Trabalhar oras! Onde mais poderia ser?
Acaricio sua bunda levantando sua saia fazendo se descosturar um pouco na discreta abertura e vejo sua calcinha cor de rosa bebê confirmando quão pura é esta minha mulher... Pura safadeza! Que de tão pouco pano sumia entre suas carnes macias e nada cobria as nádegas.
Beliscando sua bunda perguntei-lhe.
- Trabalha vestida assim como quem sai para dar?
- Mas ninguém vê minha calcinha! - disse ela se justificando e pousando a caneca de água fervendo na pia.
- Continue coando. O café está atrasado - eu lhe disse.
Obedeceu-me e continuou a passar lentamente a água fervendo no coador colocado sobre um pequeno bule que exigia equilíbrio para não cair. Apertei mais só para ver a marquinha roxa na manhã seguinte e a vi refletida na janela da cozinha com suas sobrancelhas fazendo força para se unirem e seus lábios cerrados comprimindo-se para dentro calando um gemido. Controlou-se, e conseguiu terminar sem derrubar tudo.
Que delírio esta minha mulher... Submete-se a isto só para arrancar de mim uma fagulha de brilho dos meus olhos ou um sutil sorriso que sequer mostra os dentes. Gosta de meus maus tratos para justificar sua falta de vergonha? Será que teme me perder? Que pensa que toda mulher deixaria tratar-se assim como ela? Que delícia de delírio...
Enquanto ela põe o café na garrafa enfio a mão em seu decote fazendo pular na pia dois botões de sua blusa. Tiro um único seio do sutiã, rolo um pouco com os dedos o rijo bico, solto e vou sentar-me à mesa. Ela vem com a garrafa e enquanto a coloca na mesa, aproxima de minha boca o seio a mostra para eu dar uma mordiscada. Novamente ela une as sobrancelhas agora fazendo biquinho com os lábios que já estão borrados com o batom. Se, dói... Por que me oferece? Penso comigo, também justificando minha maldade.
Sua saia continua levantada apoiada por suas ancas de mulher madura com uma maciez extra que a deixa deliciosamente vulgar. A postura empinada traz um sopro de colegial adolescente rebelde carente de educação.
Afasto minha cadeira da mesa e ela se posta em meu colo com a bundinha para cima que tem ainda uma suave marquinha de um reduzido biquíni do ultimo verão.
Uma tela em branco, que começo a tingir de vermelho a cada palmada, primeiro preservando as marcas dos dedos para depois preencher tudo. Divirto-me buscando o som perfeito dos tapas a ecoar pela cozinha. Ela tem agora o traseiro todo vermelho e quente como eu gosto. Ficou tão quietinha que parece que nem doeu.
Coloco-a de bruços na mesa, afasto de lado sua calcinha e aponto em sua umidade quente. Mostra-se oprimida... Totalmente oprimida, está sua vergonha diante de tanta libertinagem que transparece se posicionando com uma envergadura própria para montaria. Ela morde o lábio inferior olhando-me com o canto dos olhos fazendo menção de um leve gingado para trás. A metade de seus cabelos já não é contida pelas presilhas, salientando um ar mundano cada vez mais convidativo. Permaneço por algum tempo assim para fazê-la implorar a penetração. Ela acaba de soltar os cabelos e começa a roçá-los em suas costas oferecendo-me como rédeas. Aceito a oferenda, agarro-a pelos cabelos e a premio entrando inteiro dentro de seu aconchegante corpo iniciando uma deliciosa cavalgada. Safada! Onde aprendeu a se entregar tão ordinariamente minha gostosa mulher? Comigo.
Interrompo para conter meu orgasmo. Quero usá-la mais... Bem mais. Ela sentindo o vazio entre as pernas fica de joelhos e me busca com a boca com a língua de fora. Começo a me esfregar em sua lingüinha oferecida. Depois acabo de borrar seu batom esfregando em seus lábios inchados de excitação. Paro para deixá-la abocanhar absorvendo cada gota de lubrificação misturada a seu próprio gosto. Sento-me novamente para aproveitar de sua gula enquanto solto o seu segundo seio do sutiã para brincar com os dois bicos saltados. E falo.
- Quero seu traseiro!
Ela arregala os olhos demonstrando espanto, mas vem de pé e de frente colocar-me entre suas pernas para sentar-se. Confirmou meu pensamento, sabia que o espanto era mentira, vadia.
Permito que ela se acomode à vontade. Tão boazinha minha vadia que merece que eu deixe mostrar o que sabe fazer. Apoio minhas mãos em suas pernas, meu relógio enrosca em uma das meias e a desfia. Ela vem sentando e se acomodando, de apertado que é, oferece resistência. Lembrando de um antigo filme lambuzo o dedo na margarina e lubrifico a entrada. Ela respira fundo e se contrai forçando juntar os joelhos. Parece que ardeu. Seria o sal? Tanto faz.
Puxo seu quadril para baixo e ela vem, puxa o ar pela boca em formato de biquinho e pára quando entro. Deixo-a se acostumar por alguns segundos até que ela senta os carnudos glúteos. Como é cadela esta minha mulher. Por estas coisas que gosto tanto de bater em sua bunda como faço novamente agora enquanto ela sobe e desce aproveitando para se esfregar em meus pelos e oferece os seios para eu vorazmente sugar. O ritmo aumenta e os tapas também, anunciando a chegada de um clímax maior. Até que em um acesso incontrolado de tesão eu gozo e a encharco, fazendo-a gozar comigo.
A sensação de realização é grande, a satisfação também. Da respeitável mulher que coava o café antes de sair para o trabalho nada restou, Transformou-se em minha putinha toda rasgada, desarrumada, usada, abusada e lambuzada. Ah! Como eu gosto desta minha safada...
Suados, desatamos os corpos, subimos ao quarto, descansamos agarradinhos e cochilamos.
Acordo com o rádio relógio tocando.
Amanhecer de novo? Ou estaria anoitecendo? - penso comigo sem achar explicação.
Olho o relógio, vejo 6:00 horas e concluo que fora tudo um sonho. Não lamento, foi um ótimo sonho.
Ela levanta-se antes de mim e eu vendo uma marquinha roxa azulada em sua bunda pergunto.
- Machucou a bundinha aonde, mulher?
Ela se contorce no espelho para ver e responde.
- Não sei. Acho que machuquei sem perceber. - olhando para mim com um malicioso sorriso oculto.
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-14.10.03 - 4:00 PM-


Li uma reformulação da Fábula a Formiga e a Cigarra, de La Fontaine, e achei sensacional! Fiquei imaginando... O que aconteceria se a Fábula de La Fontaine ocorresse no Brasil?
Considerei os prós, os contras e acho que seria mais ou menos assim...
Leva a sério não. Só mais um dos devaneios do Mad...

A Fábula da Formiga e a Cigarra (Na Versão Tupiniquim)
(re-reformulada por mim)

Vamos começar esta Fábula com...
Era uma vez... (Fábulas têm que começar com era uma vez, oras!)
Era uma vez...
Uma Formiga e uma Cigarra muito amigas. Durante toda primavera, verão e outono a Formiguinha trabalhou sem parar, armazenando comida para o período de inverno. Não aproveitou nada o sol, a praia, madrugadas quentes com sarais e bate papo nos botecos da cidade. Vivia exclusivamente para o trabalho.
Enquanto isso a Cigarra, que se chamava Cigarreller, cantava, arrastava a asa e assediava com letras de conteúdo erótico e provocativo a Formiguinha, que apesar de ter aquela meia dúzia de pernas finas anoréxias de top model, tinha também um traseiro que fazia jus ao seu nome de Tâniajulia. De noite, cantava também nos bares da cidade; não desperdiçou um minuto sequer, cantou durante todo o outono, dançou, aproveitou o sol, curtiu para valer sem se preocupar com o inverno que estava por vir.
Só seria mais feliz se conquistasse o seu sonho de consumo, a Formiguinha, mas essa, apesar de também sentir certa atração pela Cigarra, só pensava em trabalhar.
Então, passados alguns dias, começou a esfriar. Era o inverno que estava começando. Tâniajulia, exausta de tanto trabalhar, entrou para a sua singela toca repleta de comida. Logo, o silêncio precipitou a saudade de Cigarreller e de seu canto, e em pouco tempo já sentia a solidão apertar-lhe o coração. Foi quando ouviu alguém chamar por seu nome do lado de fora da toca.
Quando abriu a porta para ver quem era, ficou surpresa com o que viu: sua amiga Cigarra estava dentro de uma BMW com um aconchegante casaco de peles. E Cigarreller, com os olhos semi-serrados de malícia, disse para a Formiguinha:
- Olá querida, comprei um flat com lareira nas montanhas. Vamos passar o inverno comigo lá?
- Mas é claro! - disse Tâniajulia radiante - Deixe-me pegar toda essa comida que juntei o ano todo!
- Bobagem, querida. Lá tem serviço de quarto, frigo-bar, alem de hidro- massagem e sauna. Suba, vamos embora!
Mais que depressa a formiguinha pegou seu cachecol e pulou para dentro da BMW e disse:
- Mas... Conta pra mim... Como conseguiu esse carrão, esse casaco, esse flat?
E a cigarra respondeu:
- Imagine você que eu estava cantando em um barzinho na semana passada e um produtor gostou da minha voz. Fechei um contrato com ele, gravei um CD e está fazendo o maior sucesso em todas as rádios. Isso tudo é só da vendagem das primeiras 100.000 cópias.
- Uau! Que maravilha! - disse a Tâniajulia trançando as seis pernas na cigarra.
E, mais tarde... Nas montanhas, no flat da Cigarra, ao lado da ladeira sobre um tapete de pele, empunhando duas taças de vinho, em pleno inverno as duas faziam amor ao som de verão.
Zizizizizizizizizizizizzzzzzzzzzzzzzzzzz!

MORAL DA HISTÓRIA: O que La Fontaine não considerou em sua fábula original é que se a estória ocorresse no Brasil, a Cigarra sendo cantora e brasileira... Seria lésbica e logicamente cantaria muito bem! E teria o sucesso mais que garantido!

links lés relacionados: Gourmet e Desejo por Desejo e Instrumento de Sucção

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-13.10.03 - 1:09 PM-

Ouvi no Radio hoje...

Manuel Bandeira, considerado o precursor do modernismo com seus versos livres. Escrevia sem compromissos e não modificava nada, deixava a inspiração fazer o que quisesse. Ninguém acreditou quando contou que "Vou-me embora para Pasárgada", um de seus mais belos poemas, nunca fora reconstruído. Ouviu a palavra Pasárgada ainda criança e lembrava-se o significado "Tesouro dos Persas".
A tuberculose o acompanhou por toda a vida, escreveu "Pneunotórax" que caracterizou sua convivência com a doença.
"... - O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo
e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino."


Deixou-nos nesta data, em 1968, aos 82 anos.
Deve ter ido a tão desejada Passárgada.

Vou-me Embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

"...o sol tão claro lá fora,
o sol tão claro, Esmeralda,
e em minh'alma - anoitecendo."

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Obrigado pelas sinceras palavras de incentivo.
Se não fossem lidos, estes escritos não seriam nada mais que caracteres perdidos na Web.
São os (as) leitores (as) quem dão o sopro de vida aos escritos.

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-10.10.03 - 8:14 AM-

Obscenidade maior

Quando a conheci ela já não era mais uma menina, já conhecia e tinha feito de tudo na vida. E eu sabia que ela gostava da vida que levava.
Não me importava com isso. Eu tinha consciência do que eu sentia por ela e ela por mim. Importava para mim como era quando estávamos juntos, só eu e ela.
Aí ela desligava o celular, se desligava de tudo, e a gente namorava como dois adolescentes. Eu enxergava nela toda a pureza e inocência de menina, a sensualidade e companheirismo da mulher e sentia a proteção e admiração que só as mães podem dar e merecer.
Muitas vezes ela se recusava a transar comigo porque estava cansada do "trabalho". Eu compreendia e dormia agarradinho com ela. Para mim ficar junto era o mais importante.
Meus amigos... Amigos não! "Conhecidos" (aprendi com o tempo que só tenho conhecidos e que nem sequer conheço direito), eles diziam que eu era louco de viver com esta situação.
Eu nem sequer respondia. Pensava comigo: pior e quem têm uma mulher só para ele na cama porque ela não conhece ninguém, ou porque ela não tem outra opção. E mais, às vezes o sujeito tem uma mulher exclusiva, mas ela vive sonhando e tendo paixão por qualquer ator de novela, ou outro qualquer.
O que é pior, dividir o corpo da mulher amada?... Ou ela ter o coração e os sonhos com outro?... Para mim, vale mais o que a gente carrega dentro do peito.
Por isso eu não dou bola pra conversa fiada. Mas isso não impedia de eu virar motivo de piadinha, que eu também não dou bola.
No começo ainda dava um sopapo ou outro e até quebrei um taco de sinuca na cabeça de um infeliz uma vez. Nesse dia a gente tava jogando eu já tava com a bola sete na boca da caçapa! O taco escorregou dentre os dedos e eu errei a jogada. O maldito falou. "Até o seu taco ta te traindo heim"! Minha outra tacada foi bem no meio da cabeça chata dele! O coitado baixou no pronto socorro minando tanto sangue pela testa que a camiseta listada de vermelho e branco ficou é, toda vermelha. Depois me arrependi e jurei não ligar mais pra nada que ouvisse, me distanciei também de gente intrometida que fica cuidando da vida dos outros, vendo o que um faz, o outro faz, ou deixa de fazer.
Teve uma vez que ela me ligou dizendo que tinha uma viagem à "trabalho" de um mês para outro país. Não perguntei nem pra onde e disse que eu não queria. Ela insistiu que a grana era alta, que era uma oportunidade de ajeitar as contas. Eu senti muito mais aceitei, até cuidei do cachorro dela enquanto ela tava fora. Quando voltou, eu fui buscar ela no aeroporto. A gente se viu de longe, ela correu ao meu encontro e me abraçou forte! E eu percebi que ela continuava minha como sempre foi o tempo todo que estivemos juntos.
Eu nunca quis entrar em detalhe do que acontecia longe de mim, isso era besteira e só ia fazer sofrer a toa. De vez em quando ela me contava que tinha tido um programa mais fácil ou mais difícil, mas era só.
Também vi muitas vezes ela chegar com cliente dentro de carrão importado na esquina de baixo. Eu sabia que às vezes ela jantava em restaurante fino, tomava café da manhã com suco, queijo, presunto, frutas, desses que tem em hotel de luxo. Mas eu sabia também que ela não trocava a sopa de cebola que tomava comigo de madrugada no Mercado Municipal do Ceasa ou o pingado com pão com manteiga no boteco da esquina por nada disso. E só porque era comigo!
Ela também adorava quando eu pegava meu carrinho velho e descia a serra com ela pra passar o dia na praia, me dizia olhando bem dentro dos meus olhos que a Praia Grande comigo era melhor que Paris. Acho que foi pra lá que ela foi quando ficou fora um mês.
Vivemos assim juntos uns quatro ou cinco anos. Até que eu comecei a perceber ela com o olhar distante, distraída, como se tivesse comigo e a cabeça bem longe. Também me beijava com a boca que mal abria direito. Isso foi logo depois que o cachorro dela morreu e eu fazia força pra acreditar que era por causa disso. Diz que o homem é o último a acreditar que a mulher não quer mais saber dele, e é verdade.
Uma noite, já bem tarde, eu esperava ela olhando pela janela do apartamento quando vi um carro chegar na esquina, desci imaginando encontra-la como sempre, com um abraço apertado e vi ela ainda dentro do carro beijando a boca do outro. Via, mas ainda não acreditava. Na bochecha dela se via a língua dele mexendo e fazendo volume por dentro! Parecia os beijos que a gente dava antes do cachorro dela morrer, ou nosso amor morrer... Mas só que pra mim aquele beijo dela em outro era nojento, era a obscenidade maior que ela podia fazer.
É, mas como eu já disse, eu não queria acreditar e continuei me enganando, pensado que não tinha visto direito. Era só mais um cliente - continuei a me enganar para não sofrer.
Ela desceu do carro e quando me encontrou no hall do prédio me deu um beijo no rosto sem olhar nos meus olhos nem me abraçar e subimos no elevador como dois estranhos.
Antes de entrar no apartamento, enquanto eu procurava as chaves perguntei quem tinha trazido ela. E ela respondeu que não interessava. E chamou o elevador de novo apertando o botão. Perguntei aonde ela ia. E ela falou que também não interessava.
Enquanto ela falava virada pra mim, a campainha do elevador tocou anunciando a porta abrir e eu ainda pude ver o buraco escuro porque o elevador não estava lá! Tentei segura-la pelo braço para ela não ir e cair no buraco que ela não tinha visto. E ela ainda sem ver soltou-se de mim com força, virou-se e foi de encontro ao poço escuro. Quase cai junto tentando pegar ela Doutor. Eu juro fiz o que pude Doutor, fiz o que pude.
O delegado com a voz forte e em tom irônico falou.
- "Bela estória! Estou até com lágrimas nos olhos de tanta emoção! Só falta você explicar porque o corpo estava sem o coração?"
- Ora Doutor, o coração é meu! Peguei o coração porque o coração é meu!

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-9.10.03 - 11:25 AM-



Preciosidade da Ostra
por Madeu St'Ore

Com a minha mão amparo
e as conchas com dedos separo.
Você se entrega e mostra,
pra mim sua deliciosa ostra.

Ficamos de bocas coladas
e de saliva já encharcadas.
Com os dedos vou circulando
e um gostoso aroma vai exalando.

A ostra pra fora da concha salta
sentindo da minha boca a falta.
Entre suas pernas mergulho
e com a língua agora circulo.

Encontro sua pérola preciosa
e degusto essa iguaria apetitosa.
O tesão cada vez mais aumenta,
você se contrai que não agüenta.
Insisto, e já sinto os espasmos.
Anunciando deliciosos orgasmos.

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-3.10.03 - 4:22 PM-


O Quarto - outubro de 1988 Vincent Van Gogh.

Com cores berrantes, formas irregulares e desprezando regras de perspectiva, criou um estilo próprio Pós-impressionista que expressava o mundo como só ele via. Vendeu apenas uma única obra em vida,"Vinhas Vermelhas", pelo valor de uma refeição. Hoje, após muitas e muitas décadas reconhecemos que os "frenesis lúcidos" pintados por Van Gogh fazem parte da nossa realidade. E, como todos sabem, suas obras estão entre as mais valorizadas do mundo. As obras de Van Gogh não se alteraram com o tempo, mas o mundo teve de evoluir para compreendê-las.

"Tudo bem, algumas pinturas parecem com uma grande mancha em suas enormes molduras, e logo alguém fica consternado porque deixam um profundo sentimento de vazio ou de insatisfação; em contraste a isto, algum desenho gravado em madeira ou uma litografía ou uma aguaforte, são deixados de lado algumas vezes, mas alguém volta a eles e sente mais e mais apego, e percebe algo realmente grande neles."
Vincent van Gogh
Carta 250
2 ou 3 de dezembro de 1882

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. Personagens e situações:
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