FRENESI E LUCIDEZ contos e contos eróticos... FRENESI E LUCIDEZ contos e contos

FRENESI E LUCIDEZ contos e contos


-30.1.04 - 9:38 AM-


Gourmet

Que atração irresistível era aquela?! - ela se perguntava. Já não era mais nenhuma menina para se encantar assim, já havia casado, parido, separado, juntado e separado de novo. Tudo. Ah! Mas quando ela avistava aquele jeito tímido e envergonhado de olhar de canto de olho... Ela não conseguia conter de lhe dar um sorriso, que ela logo recebia de volta acompanhado com uma medida de corpo inteiro e com um brilho de gula nos olhos. Agora era ela que ficava envergonhada, despida, comida! - Céus, só por um olhar! - estava ficando louca?!
Uma vez ela trouxe para o serviço um pedaço de bolo de chocolate que havia feito e ofereceu-lhe - E não é que veio dar uma mordida! Hum... - dar-lhe o que degustar na boca chegou até a excitá-la, preparando a mordida, a boca entreaberta mostrava os brancos dentes, a língua lisa levemente projetada para fora do interior de penumbra úmida, escorregadia. Tudo emoldurado pelos lábios de mucosa rosada, e emoldurando o lábio superior... O buço sombreando, que combinava tão bem com as tênues costeletas descendo frente às delicadas orelhas de seu rosto feminino, e quase de garoto, com expressão de delícia, saboreando como un gourmet. E limpou os lábios e chupou os dedos de unhas aparadas e roídas de impaciência das mãos firmes, mas delicadas. O conjunto todo tinha um atraente aspecto andrógina que a intrigava, excitava, chocava e amava. E a forma objetiva e despachada de agir, fazia com as coisas parecessem tão simples, tudo tão diferente dela que divagava tanto, se preocupava e sentia tanto tudo. Também nessa diferença estava sua atração.
Atirou-se a libido, arquitetou então abraçar, beijar, apalpar e tudo o que sempre reprimiu! Pediu para que ficasse até depois do expediente para lhe ensinar umas planilhas, umas formulas de Exel, inventou. Chegada à hora foi ao toalete, lavou-se, secou com lenço perfumado suas intimidades. E deu a ela, com o máximo prazer, sua melhor iguaria para degustar...

Imagem acima foi tirada do blog Uvanavulva, e modificada.

O Uvanavulva é um blog erótico lésbico sobre o dia a dia de uma relação sexual e afetiva; questionamentos, dúvidas, insights, divagações e descobertas de um típico casal butch e femme. Gente finíssima e da minha maior estima. Passe lá para conhecer!

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-23.1.04 - 3:32 PM-

De Joelhos

Tê-la de joelhos aos meus pés é o que mais me excita.
Os joelhos juntos, os olhos mirados para cima me olhando, o jeitinho acanhado de pedinte fazem dela uma figura sacra-santa. E de mim o paradoxo demoníaco. Bem sei que ela também sente assim e me usa para saciar seus desejos de flagelo de purificação e permissão do proibitivo. Por isso que gosto de avançar minha mão com velocidade e estalar abruptamente em sua pele macia antes que ela comece seu "ritual". Assim percebo seu rosto verter em vermelho e seus olhos brilhando, se iluminarem, seus lábios incharem de excitação e não conterem o sorriso de aprovação que ela tentou esconder sem sucesso baixando a cabeça e esfregando a boca no próprio ombro. Agora sim, com a boca entreaberta de sede deixo que ela me avance ávida. Mas seguro-a firme pelos cabelos para conduzir a cadência como eu gosto, quando a afasto de mim, ela tenta me alcançar com a língua esticada para fora e o pescoço com nervos e veias salientes, permito que a só a pontinha me toque e a conduzo para o cabresto, que é onde mais gosto, e depois baixando por toda a extensão até atingir os ovos que estão retraídos do tesão. Quando a solto um pouco ela abocanha os dois juntos, puxo-a para trás de novo e a solto para ela sorver agora a cabeça que parece querer explodir de inchaço. Ela vai aumentando a pressão da sucção e a afasto puxando-a pelos cabelos novamente, mando que tire vestido, e ela faz cara de assustada, teme ser vista nua ali naquele recuo escuro de calçada, apesar da rua estar deserta àquela hora da noite. Insisto! E ela atende com aquele jeitinho singelo que novamente salienta a nossa paradoxal atração sado-maso. Mando tirar também o sutiã e a calcinha, e ela agora fica apavorada e nega. Então começo a fechar minha calça para encerrar tudo! E ela muda de idéia e me atende de novo. Que delícia conduzir essa mulher assim, que delícia. Como é linda indefesa assim, toda nua. Quando ela nota que um casal caminha pela calçada em nossa direção ela me abocanha de olhos fechados e o semblante num misto de medo e vergonha querendo se esconder do mundo, e eu a amparo pela nuca até passarem olhando com o canto dos olhos. Em seguida avistamos dois rapazes, mas a vergonha agora deu lugar à safadeza e ela com o corpo petulante faz questão de estalar um sonoro beijo chupado na minha glande, vadia. Pego os bicos de seus seios, dos seios não..., das tetas, e rolo entre os dedos experimentando apertar para vê-la franzir a testa e alternar a sucção. Nem combinamos, mas ela sabe que quando aperto, ela deve aliviar a pressão. E assim conduzimos o ritual até que ela acabe fertilizada, alimentada de mim.
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-22.1.04 - 1:33 PM-


Cartaz do Filme Contos Proibidos de Marquês de Sade - alterado

Marquês de Sade (02 jun 1740 a 02 dez 1814)

O controverso e polêmico Donatien-Alphonse-François de Sade, nascido de família nobre teve uma formação aristocrática. Aos 15 anos era Sub Tenente no Regimento de Infantaria do Rei Luis XVIII, aos 17, serviu na Guerra dos Sete Anos contra a Inglaterra, casou aos 23 anos e a partir daí começou uma vida de práticas libertinas e complicações com a justiça e prisões, aos 32 anos chegou a ser condenado a morte, perdoado por ser um nobre. Uma série de práticas devassas e libertinas, protestos políticos e religiosos, lhe ocasionaram quase 30 anos de prisão em hospícios e presídios, tempo e locais esses que desenvolveu diversas Obras de Literatura quase todas publicadas na clandestinidade e que foram publicadas como Arte somente a partir de 1968. Infelizmente dois terços de sua obra foi queimada por seu próprio filho.


"A minha maneira de pensar, você diz, não pode ser aprovada. E que me importa? Bem idiota é aquele que adota uma maneira de pensar para os outros! Não foi a minha maneira de pensar que provocou a minha desgraça. Foi a maneira de pensar dos outros."
Marquês de Sade

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Vai aí um conto dele...

O preceptor filósofo

De todas as ciências que se inculcam na cabeça de uma criança quando se trabalha na sua educação, os mistérios do cristianismo, embora uma das mais sublimes partes desta educação, sem dúvida não são os que se introduzem com mais facilidade no seu jovem espírito. Persuadir, um jovem de catorze ou quinze anos que Deus pai e Deus filho são só um, que o filho é consubstancial ao pai, e que o pai é ao filho, etc. É mais difícil de entender que a álgebra e quando se quer consegui-lo, se é obrigado a empregar certas aparências físicas, certas explicações materiais que por desproporcionadas que sejam, facilitam a um jovem o entendimento.
Ninguém se achava mais profundamente penetrado deste método do que o Senhor abade Du Parquet, preceptor do jovem conde de Nerceuil, de cerca de quinze anos de idade e a mais linda figura que podia ver.
- Senhor abade - dizia todos os dias o pequeno, - na verdade a consubstancialidade está acima das minhas forças, é absolutamente impossível entender que duas pessoas possam fazer só uma; explica esse mistério, suplico-vos ou, ao menos, coloque termos ao meu alcance.
O honesto abade, ansioso de triunfar na sua educação, contente por poder facilitar ao aluno tudo quanto poderia constituir um dia um lindo súbdito, imaginou um meio bastante agradável para aplanar as dificuldades que embaraçavam o conde. Mandou vir para sua casa uma rapariguinha de treze anos a catorze anos e, tendo educado bem a pequerrucha, juntou-a ao seu jovem aluno.
- Ora bem - disse-lhe, - agora, meu amigo, concebei o mistério da consubstancialidade: já compreendeis com menos dificuldade que é possível que duas pessoas só façam uma?
- Ó meu Deus, sim, senhor abade - disse o encantador energúmeno, - entendo agora tudo com uma facilidade surpreendente, não me admira se este mistério faz, toda a alegria das pessoas celestes, porque é muito agradável, quando somos dois, divertirmo-nos a fazer um só.
Alguns dias depois, o pequeno conde pediu ao preceptor que lhe desse uma outra lição, porque ainda havia algo no mistério que não entendia bem e que não podia explicar-se senão celebrando mais uma vez, como já fizera. O condescendente abade, a quem esta cena divertia realmente tanto quanto ao aluno, mandou vir a rapariguinha e a lição recomeça, mas desta vez o abade singularmente excitado com a perspectiva deliciosa que o lindo jovem lhe apresentava ao substancializar-se com a companheira, não pôde impedir-se de se introduzir como terceiro na explicação da parábola evangélica, e as belezas que as suas mãos devem percorrer para isso em breve acabam por inflamá- lo totalmente!
- Parece-me que isso está indo muito depressa - disse Du Parquet sujeitando os rins do pequeno conde, - demasiada elasticidade nos movimentos, onde resulta que a conjunção não sendo já tão íntima apresenta menos bem a imagem do mistério que aqui se trata de demonstrar... Se fixarmos, sim, desta maneira -
disse o safado dando ao seu aluno o que este dava à rapariga.
- Ai!, Oh meu Deus, está me machucando, senhor abade! - diz o jovem, - e esta cerimônia me parece inútil, o que me ensina aumenta mais o mistério?
- Ah, caramba! - diz o abade balbuciando de prazer, - não percebes, meu caro amigo, que te ensino tudo ao mesmo tempo?! É a Trindade, meu filho... É a Santíssima Trindade que hoje te explico, mais cinco ou seis lições e serás doutor na Sorbonne!

Marquês de Sade
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-19.1.04 - 3:05 PM-


Um pouco de romantismo...

Pela calçada.

Andávamos pela calçada lado a lado, sem conversar nada. Simplesmente andando, andando... Um passo após o outro...
Por mero acaso ou instintivamente sincronizamos o passo, direito, esquerdo, direito...
Logo nossa respiração também tinha a mesma cadência. Vez ou outra esbarrando os mindinhos inocentemente, mas cada vez mais freqüentemente e propositalmente. Arrancando da gente um acelerar da pulsação... Uma vontade de pegar na mão... Até que as juntamos com naturalidade, abrandando um pouco nossa a ansiedade que tinha também um fundinho de medo de rejeição.
Sem combinar nada, divertíamos juntos a desviar os pés das riscas da calçada, improvisando passos maiores, menores e fazendo brotar sorrisos da infância em nossos lábios. Quando atravessamos a rua, eu a puxei pela minha frente e a conduzi para o lado de dentro da calçada enlaçando-a pelo quadril, fazendo um passe de valsa perfeito, que antes nunca fora ensaiado.
Sem nos aperceber grudados, andamos assim por algumas quadras como se fossemos um só,
Passo a passo, com a pulsação no compasso, sincronizando a respiração e com uma alegria de criança no coração.
Nos soltamos e continuamos de mãos dadas para melhor sentir à brisa que vinha pela frente... Os olhos semi-serrados para protege-los do vento, causava um sentimento de delírio crescente... Embalados numa suave ladeira que descia... Sentindo esvoaçar as roupas numa sensação gostosa de quem pode, como águia, voar com maestria.
Lado a lado de mãos dadas na calçada, interrompendo o caminho, um pequeno poste. Juntos não passaríamos em nenhum dos lados, mas vontade de soltar as mãos não dava. E o poste se aproximava. Um para cada lado, a gente se direcionava. E por não soltar as mãos!... Cada um para um lado então... Enlaçamos o poste juntando nossos corpos em colisão...
Nossos hálitos de excitação... E nossas bocas com a sede de paixão... Nosso primeiro beijo consumado... Nos olhamos com jeito envergonhado...
E continuamos na calçada a dançar. Até um outro poste se aproximar...
E como demoravam esses postes a chegar!...
No próximo poste vou de novo te beijar, te atacar, te roçar, te tocar e tesão te atear.
Ah! Como demora a chegar...
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-15.1.04 - 11:41 AM-

Conhece Hieronymus Bosch?...

De data de nascimento desconhecida e falecido em 1516, é considerado um pintor do Renascimento, há quem diga que na forma que retrata os rostos em suas pinturas há características do Expressionismo e analisando também o contexto de situações inusitadas e absurdas de seus quadros, vemos que também retratava o Surrealismo, ambos surgidos somente 500 anos depois de suas obras. E eu concordo.
Era membro da Confraria de nossa Senhora, uma associação de clérigos e leigos dedicada ao culto de Virgem Maria, e também da Congregação do Espirito Livre, com ideologia herética, libertina e oposta a primeira. Comumente em suas obras existem cenas de sodomia e bestialidades o que quase lhe custou à vida na Santa Inquisição.
Sem duvida, um artista que enxergava muito alem de seu tempo e que retratava devaneios da psique que só foram abordados por Freud séculos depois.


Fontes: www.cyberartes.com.br
www.segundadimensao.com.sapo.pt



A Extração da Pedra da Loucura - Hieronymus Bosch -1474-80
Interessante. Aqui loucura é representada como uma flor

Imagem ampliada: A extracao da pedra da loucura - 1475 -80.jpg




O Jardim das Delícias - Hieronymus Bosch---------e---O Inferno - Bosch
Devaneios inerentes na psique

Imagem ampliada: O Jardim das Delicias.jpg
Imagem ampliada: O Inferno.jpg
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-10.1.04 - 3:59 PM-

No rodízio...

Já brigados por causa do novo emprego dela, que fazia com que ela sempre se atrasasse para chegar em casa, resolveram fazer as pazes marcando um jantar num rodízio após o expediente. Ela, como agora já era rotina, atrasou-se 40 minutos, mas como a idéia era reconciliação, ele pacientemente esperou na porta do restaurante.
Entraram, pediram dois chopes, serviram-se na mesa de saladas e começaram a comer e conversar enquanto os garçons serviam.


- Desculpe o atraso, querido, mas meu chefe na ultima hora me chamou para me mostrar o...(Kibe, senhora? - ofereceu o garçom) ...orçamento do mês.
- Deixa pra lá meu bem, sei que você gosta de mim, você sempre fala que eu sou... (Banana frita a milanêsa ? - disse o garçom com a travessa) ...o cara de... (Pastel, senhor?) ...seus sonhos.
- E você é mesmo! Que bom que compreende, é um emprego novo e preciso dar ... (Chuleta no ponto?) ...o máximo de mim para receber logo uma... (Lingüiça calabresa da grossa?) ...promoção.
- Entendo, mas você precisa melhorar seus horários e parar dar ... (Maminha molhada na manteiga?) ...expediente extra todos os dias.
- Prometo que vou conversar com meu chefe e pedir para ele me passar a... (Picanha bem passada?) ...tarefa na parte da manhã para não haver atrasos.
- Assim vai ser bem melhor, sabe que eu sou... (Cordeiro fresquinho?) ...apaixonado por você e não quero brigar.
- Claro, claro que é! E eu preciso dar o... (Lombo, senhora?) ...tempo certo para falar isso tudo com meu chefe.
- Como o tempo certo?! Você tem que falar com ele amanhã! Senão vai acabar trocando... (Fraudinha bem passada?) ...eu pelo seu emprego!
- Não seja insensível, querido! Compreenda! Eu preciso abrir a... (Coxinha de galinha?) ...perspectiva profissional no meu emprego?
- Insensível?! Você fica entregando o... (Filé Mignom macio?) ...seu tempo todo para o seu novo emprego e eu é que sou insensível?! Você é que está dando o Filé Mignon macio pra o seu chefe!
- Calma, você parece... (Javali, senhora?) ...que está muito nervoso, calma! Você parece um javali!
- Ora, quer saber? Cansei de ter... (Coraçãozinho de frango?)... paciência, cansei!
- Eu é que cansei dessa sua... (Lingüicinha de porco da fina, senhora?)... arrogância, arrogância não! Isso mesmo! Cansei dessa sua lingüicinha de porco fina e mole!
- Ah! Vai tomar... (Mais um chopinho, senhor?).
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-6.1.04 - 10:16 AM-


Anjo Lascivo

Existem muitas estórias malucas por aí. Uns acreditam em duendes, outros em bruxas, também em anjos e até mesmo em mutantes. Eu nada disso entendo e nada posso explicar. Mas posso contar o que vi e o que senti. Para mim tanto faz se terei credito ou não, realmente não me importa em nada. Se conto é por que vi e quero contar. E pronto.
Era uma noite fria de lua cheia igual a essa. E apesar do brilho da enorme lua, as nuvens desciam ao solo em forma de uma névoa densa e espessa limitando a visão à distância, depois de muito caminhar a pé parei nessa praça, em um banco ao lado de outro ocupado por um mendigo que dormia embriagado. Daquela noite eu não esperava mais nada a não ser desfalecer de cansaço em qualquer lugar, que pelo que eu via, seria aqui mesmo.
Longe avistei um vulto que me despertou a atenção pelo aspecto feminino e a elegante silhueta de quem vestia um sobretudo com um andar delicado e charmoso. Eu nada tinha para fazer e diante do contexto e da situação que me encontrava, fiquei observando.
Aguardei pacientemente que viesse em minha direção para que eu desvendasse minhas dúvidas. E quanto mais se aproximava, mais duvidoso eu ficava. Primeiramente confirmei que os cabelos eram castanhos, longos, grossos e de aspecto selvagem, depois notei que o rosto era de uma mulher especialmente bonita de grandes olhos verdes e olhar penetrante. Surpreendi-me em notar que estava descalça e andava na ponta dos pés, o que justificou de longe dar a impressão de calçar saltos altos. A tonalidade da pele era bronzeada, somente mais de perto que vi que suas roupas e sua pele eram de tonalidade e textura idênticas, parecendo que usava uma roupa feita com tecido exatamente igual sua própria pele. Esfreguei os olhos para melhor enxergar e confirmei estar acordado e ver a mesma imagem que para mim, apesar de muito bela, parecia cada vez mais incoerente. Quando ela abriu os braços que vi que se tratavam de asas! Com a anatomia característica de um mamífero voador.
Ela estava completamente nua, abismei-me, mas não consegui temer tão bela criatura. O corpo tinha formas perfeitas: os seios proporcionais com bicos projetados e rijos, a cintura sinuosa alargava em um quadril de proporções avantajadas ideais, a barriga esguia, do umbigo para baixo havia um caminho denso de pelos que terminava na vastidão dos pelos do seu sexo, pernas com cochas fortes, panturrilhas salientes e seus braços misturavam com a estrutura das asas sendo que no meio delas na parte de cima apareciam os delicados dedos com longas unhas. Vendo melhor observei que a pele era toda coberta por uma penugem fina, clara e de aspecto aveludado. Ora, se existem anjos, estou diante de uma! - pensei extasiado.
Ela se aproximava e eu, como que encantado não conseguia me mexer, toda vez que eu via seus olhos, estavam fixados nos meus como se eu fosse sua presa e ela a caçadora. Num misto de excitação e curiosidade estendi minha mão e toquei seu antebraço recoberto pela membrana da asa, surpreendi-me por ser ainda mais macia que eu julgava e a penugem mais densa que aparentava. Sem emitir nenhum som ela me retribuiu com sua mão em meu pescoço triscando suavemente as unhas me causando um arrepio de corpo inteiro. Eu analisava seu corpo a cada centímetro querendo gravar aquela imagem maravilhosa para sempre.
Com um movimento suave, introduzi minha mão por dentro de uma asa buscando sua cintura, adentrando para enlaçá-la percebi que a membrana da asa iniciava aderida a espinha dorsal e em toda essa parte interna a temperatura era bastante quente como debaixo das asas dos os pássaros, o que era agradável para aquela madrugada incentivando-me a colocar também a outra mão em sua cintura, quando fui envolvido pelo calor de suas enormes asas macias que me davam uma sensação embrionária. Eu tateava seu quadril, buscando suas nádegas tenras e firmes. E com a boca sedenta perseguia seu pescoço, seus ombros... Que fugiam de mim numa atitude desconfiada. E o calor aumentava comigo colado àquela penugem aveludada e macia... Desesperado de calor e suor despi-me da jaqueta, da camisa, abri o cinto e as calças deixando-as escorregar pelas pernas. Impossibilitado de movimentar os pés, tirei também os sapatos, as calças e a cueca de meus tornozelos. Eu estaria completamente nu não fosse as asas me acolhendo e me envolvendo completamente. Ela deixou-me cair sobre ela na grama molhada do orvalho. E num ato instintivo nossos sexos se completaram numa penetração quente, molhada e escorregadia. E alem de estar envolvido pelas asas, senti também suas pernas enlaçarem as minhas, possibilitando que eu movimentasse somente minhas mãos em seu corpo e acompanhasse seu movimento de ritmo frenético e alucinado com meus quadris. Ela tinha um sexo quente fora da normalidade, unhas enormes constantemente apontadas para meu pescoço e minha nuca como fosse uma precaução para que meus atos se mantivessem sob seu controle. Ela começou a passar a língua por detrás da minha orelha, alcançou minha nuca e depois por dentro de meu ouvido. Num tesão incontido afastei-me, e vi que sua língua era longa, lisa e de um vermelho brilhante. Ofereci minha boca que ela explorou por inteira com um beijo que nunca experimentei nada similar, causando-me um fornicar no céu boca que me arrepiava e estremecia inteiro me fazendo encolher os ombros. O sabor era idêntico à de mulher no cio. Apalpando suas ancas novamente, encontrei logo acima, no final de sua espinha, um curto e sedoso rabo que finalizava o centro de suas asas. Continuando a meter cada vez mais forte, quis vê-la, explora-la e conhece-la cada vez mais. Anunciando a chegada de um clímax maior, ela a grunhia gemidos que me lembravam felinos selvagens, com entonação grave, mas femininos e extremamente lascivos. Até aquele momento o meu tesão não dava espaço ao medo nem por um instante, apesar de perceber que aquela criatura de formas delicadas mantinha unhas apontadas para meu pescoço. Acelerado ainda mais nossos movimentos, ela abriu as asas me soltando e entregando-se ao meu ritmo de coito. Seguirei-a pelas mãos com asas abertas pressionadas contra o chão, igual se prende um bicho para se dissecar, e pude ver melhor cada detalhe. Lindíssimamente exótica! Aquela experiência para mim tão inusitada valeria a pena mesmo que fosse a última e que eu pagasse com a própria vida por tê-la. Na chegada do orgasmo ela se debatia em evidente delírio parecendo querer levantar voou me fazendo também gozar intensa e singularmente.
Terminado, ela me repudiou com olhar de estranheza, pela primeira vez me amedrontando. Descer de seu corpo fez-me cair em mim e rapidamente, fui à procura de minhas roupas, coloquei minha cueca, a calça e enquanto a abotoava senti o vento e ouvi o barulho do levantar vôo! Sumiu deixando em mim a memória de sua sombra estampada na lua que parecia um Anjo de rabo!

Não acreditou?... Sabia. No começo eu disse que não tinha pretensão de crédito.
Se tenho prova?... Só a cicatriz na nuca.
Testemunha?... Meu colega do banco do lado acordou e chegou a vê-la voar indo embora.
Porque agora moro nesse banco de praça?... Acredito que ela ainda volte uma noite dessas.
Refletindo ainda penso: Seria um Anjo dos céus?... Ou uma criatura do inferno?... Tanto faz... Se for um Anjo, que para o céu me leve... Se for por parte do diabo, que para o inferno me carregue.

E a densa neblina começou a tomar conta da praça permitindo que só a silhueta da uma mulher de sobretudo e andar elegante fosse vista de longe.
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